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Revirando

O sol nunca mais iria se pôr. Estava consternada. A última tempestade solar tinha mudado toda a humanidade. Por um motivo mantido em segredo pelos cientistas, a partir daquele dia, seria apenas dia e dia, dia após dia. Hélio nunca mais haveria de recolher seu carro de fogo.
E aquele sol, hein!?... Não agüento mais de calor!... Parece que vou derreter!... Não consigo dormir no claro...
As pessoas estavam enlouquecendo. Suavam tanto que precisavam andar sem roupas.
Acabavam, por força do hábito, trabalhando até mais tarde, mas a noite não caía e o sol escaldava o pensamento.
Os pequenos lagos começaram a secar. As calotas começaram a derreter e o mar, furioso com o sol, começou a se expandir. A área continental do planeta começou a se reduzir rapidamente. As pessoas conseguiam pensar com muita dificuldade. Os humanos esqueceram-se da lua e, como a água potável era escassa, começaram a beber do mar, que por sua vez dava mais sede.
As células, em decorrência da elevada ingestão de sais, começaram a se comportar de forma diferente e nem sequer ficavam túrgidas ou plasmolisadas.
As pessoas, que a essa altura já não conseguiam pensar, desistiram de lutar por qualquer alteração.

e foram ficando pequenas,

e foram ficando pequenas,

e foram ficando pequenas,

e foram ficando pequenas...

- É assim que me lembro de quando viramos amebas.

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Página atualizada em 23/08/2009.
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