Poemas
Seis
Sal que minha mão bebe
Precocemente surda
Traço, arquejo, presságio
Silvo insípido e crasso
Sinuosamente áspero
É sina, é senda, é passo.
O tédio
Nenhum deslumbre colore meu dia
nem desatino desperta-me a noite
visto o silêncio, madrugada insone
degusto o acre da hora vazia.
Neste momento tudo é monocromo
na cela, sombra - espio a loucura
ouço um carpido pejado de agulhas
fechando os olhos, sonho, abandono.
Não há pintura, poema, sonata
que tire a voz da inquietude velada
recubra de luz o transtorno da alma.
Nisto que vivo com punho cerrado
seca de lágrima, sonhos e casas
num tempo ou noutro sou a enfadada.
Sem título
As flores despidas
em cores velozes
produzem o som
magia dos guizos
eterna foi a noite
do amor apaixonado
Nudez profanada
silêncio molhado
orvalho luzente
segredo contado
eterna foi a noite
do amor apaixonado
Dois corpos na alcova
deitados em êxtase
lúbrico desejo
amantes e lassos
eterna foi a noite
do amor apaixonado
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Página atualizada em 23/08/2009.
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