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As manhãs

Todas as manhãs levava o filho à escola. Mãos dadas, apertadas fortemente: mãe zelosa, preocupada, presente.
O menino sempre do lado interno da calçada. Caminhada curta, dois quarteirões apenas. O cabelo penteado com esmero, o uniforme de um branco imaculado e a merendeira azul. O tênis e o sapato, o sapato e o tênis. Atravessavam a rua defronte da pequena escola.
A mãe, na porta da sala, beijava o filho copiosa, como uma leoa lambe os filhotes. Um beijo molhado e saudoso fazia com que o pequeno passasse as costas da mão nas bochechas. E ela sorria olhando a pequena criaturinha se sentando ao lado dos colegas. Só depois saía da porta da sala.
No recreio as crianças saíam num bulício frenético para brincar no pátio lateral da escola. Abriam suas merendeiras para o lanche. Biscoitinhos, sanduíches, sucos e chocolates.
Havia no pátio uma janela gradeada muito alta que se comunicava com um ambiente externo da escola, onde existia um banco à sombra de uma frondosa amendoeira. Muitos pais esperavam pelos filhos naquele local, mas no meio do turno era deserto.
Débora se sentava no banco para desfrutar anônima do recreio. Era um tempo íntimo e preenchido pelos sentidos. Fechava os olhos e inspirava profundamente. Com as narinas muito abertas e ansiosas deixava que o ar prenhe de cheiros e sons encantadores tocasse-lhe com gotas de infância. A delícia e a impotência do momento agitavam-na. Bebia a manhã de Olavinho oculta, estática e frustrada.

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Página atualizada em 23/08/2009.
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